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O Sap da Funai

Intérprete da Fundação Nacional do Índio forjou frases de índios suruuarrás para jornalistas australianos.

A ideia de que índio gosta da precariedade da vida na floresta é tão falsa quanto a de que intelectual gosta de pobreza. Mas a fundação nacional do índio, criada para proteger os aborígines brasileiros, não mede esforços para fazer com que as pessoas acreditem nessa lorota. Estima-se que pelo menos setenta tribos se mantenham isoladas na amazônia. A funai restringe todo e qualquer contato com esses povos. Em julho passado, resolveu abrir uma exceção. O órgão autorizou a entrada de uma equipe de jornalistas do channel 7, da austrália, na terra dos índios suruuarrás, no sul do amazonas. A condição: um pedágio de 7000 dólares como “contrapartida” para liberar o ingresso dos repórteres. Apesar de o dinheiro ter sido depositado na conta da instituição, a funai afirma que não cobra ingresso para a entrada em aldeias e que a taxa foi ideia dos suruuarrás. Índios isolados que exigem pagamento em dinheiro por entrevistas – e pagamento em dólar? O deus tupã deve ter revelado aos suruuarrás que o euro está ameaçado de extinção, portanto…

Para traduzir os diálogos e guiar os australianos Paul Raffaele e Tim Noonan, a funai escalou Jemerson Azevedo – um ex-ativista do conselho indigenista missionário (CIMI), que presta serviço para a instituição. E o que jemerson fez? Ao traduzir para o inglês o que os índios diziam, ele inventou falas para… Inglês ouvir! A farsa só foi descoberta semanas depois, quando raffaele e noonan conversaram com missionários que assistem esses índios. Os missionários viram e ouviram a gravação e caíram na risada. Jemerson fez um trabalhinho bem selvagem, digamos assim. As falas em que os índios assumiam a tradição de matar crianças que nascem com problemas físicos e gêmeos foram omitidas. Jemerson também disse que os índios lamentavam que uma índia tivesse sido sequestrada. Na verdade, trata-se de uma mãe que fugiu da aldeia, a fim de evitar a execução de sua filha que nascera com paralisia cerebral. Os australianos intuíram que algo estava errado quando jemerson afirmou que os índios estavam muito felizes de viver nas condições em que viviam: em volta deles, os silvícolas acenavam pedindo roupas e sapatos e pareciam reclamar dos mosquitos e do frio. Em um dos trechos da gravação, jemerson diz aos suruuarrás, na língua deles, sem traduzir para os australianos, que deputados planejavam destruir as malocas e matar os índios. Aterrorizados, eles falaram em suicídio coletivo se a ameaça se concretizasse. A fala de Jemerson tem um objetivo que pode ser traduzido como terrorista: desvirtuar uma proposta de lei em tramitação na câmara que prevê punição para brancos que não coíbam a prática de infanticídio nas tribos. “a Funai prefere manter as tribos isoladas no que só pode ser descrito como um museu antropológico vivo”, conclui o repórter Paul Raffaele.

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